Notas 🎒 escolares → estÃmulo à mediocridade
Em seu texto A escola sob medida ([que demarca sua aproximação epistemológica ao movimento escolanovista]), [o psicólogo suiço] Claparède [...] dirige sua atenção para produzir uma crÃtica da escola de seu tempo, na medida em que a instituição privilegiava
o aluno médio, através da atribuição de notas.Mas, o que é lastimável é o fato de a escola pensar ter realizado tudo, quando atribuiu esta nota, quando estabeleceu tal distinção. Esta determinação é, para ela, um ponto de chegada, quando deveria ser um ponto de partida: os fortes, os medÃocres e os fracos não são tratados diferentemente, são obrigados a andar no mesmo ritmo, o que é nocivo a uns e outros. Não parece suspeitar que uma notação é um processo didático (Claparède, 1973, p, 172).Seria necessário que a escola levasse em conta as diferenças individuais? Mesmo reconhecendo que, historicamente, a escola operava no nÃvel da padronização, o psicólogo seguirá defendendo que se fazia urgente uma superação das pedagogias centradas no
aluno médio—um tipo monstruoso e antinatural(Claparède, 1973, p. 173). Na lógica da argumentação claparediana, um dos primeiros aspectos a serem reconhecidos seriam as capacidades naturais dos estudantes. Em outras palavras, para produzir uma educação que atenda à s variações individuais, era necessário reconhecer queum indivÃduo só produz na medida em que se apela para suas capacidades naturais, e que é perder tempo querer por força desenvolver nele capacidades não-possuÃdas(Claparède, 1973, p. 174). Esse aspecto também indicava uma crÃtica aos programas escolares uniformes.Ao postular a centralidade dos interesses individuais dos estudantes e de sua variedade de aptidões, Claparède passa a defender a constituição de uma
escola sob medida. Isso poderia ser desenvolvido através de classes paralelas, classes móveis e, principalmente, osistema de opções, no quala maior parte [do tempo] era deixada à s ocupações individuais de cada aluno(Claparède, 1973, p. 178). Exemplar, nessa direção, seria a discussão sobre os critérios para a organização das turmas baseados na diferenciação.Parece-me, além disto, que a criação de classes fortes e fracas não poderia resolver de modo satisfatório o grave problema das aptidões. O que importa, com efeito, não é tanto diferenciar as crianças conforme o vulto de sua capacidade de trabalho, senão conforme a variedade de suas aptidões. Tal classificação quantitativa, seria preciso substituÃ-la por uma classificação qualitativa. A escola atual sempre quer hierarquizar; antes de mais nada, o importante é diferenciar. Esta ideia fixa de hierarquia vem do emprego dos diversos sistemas empregados para aguilhoar os alunos: boas notas ou más, filas, castigos, concursos, prêmios... (Claparède, 1973, p. 181-182. Grifos do autor)
Referência
- CLAPARÈDE, Edouard. A escola sob medida. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1973.